As oportunidades do ‘jornalismo de marca’ para profissionais da notícia

jornalismo de marca

Com o fortalecimento do Marketing de Conteúdo a partir de 2010 como uma forma eficiente de atrair e se relacionar com os consumidores — 69% das empresas brasileiras já aderiram a esta estratégia —,  aumentou a demanda por produção de conteúdo especializado. Aí também nasceu, entre outros questionamentos, a seguinte pergunta: quem é o profissional ideal para produzir conteúdo corporativo?

Apoiado em minha experiência e também visualizando a movimentação do mercado, sou inclinado a afirmar que jornalismo é a formação mais indicada para o profissional responsável por conduzir a estratégia de conteúdo de uma empresa.

Se você é jornalista, fique atento. Aqui vamos conversar sobre o Brand Journalism e, ao final, te mostrarei algumas características que fazem de você um excelente profissional para atuar com marketing de conteúdo. Acompanhe!

Brand Journalism — O jornalismo de marca

Em 2004 o McDonalds apresentou ao mundo uma nova nomenclatura para definir os profissionais de jornalismo que atuam nas corporações: o brand journalist, ou jornalista de marca em bom português. Depois de anos de estudo, a companhia concluiu que contratar jornalistas era a melhor estratégia para a produção e distribuição assertiva de conteúdo que elevasse a experiência de seu público-alvo e melhorasse a reputação da marca.

De lá para cá já se passou uma vida — não sem o tradicional estranhamento inicial e os protestos do percurso. Agora, mais de dez anos depois, os brand journalists são profissionais amplamente respeitados e disputados pelas empresas que realmente entendem o valor de assumir as rédeas da produção e distribuição de seus conteúdos. No Reino Unido, de acordo com o NewsCred Report, 73% dos jornalistas já acreditam que o jornalismo de marca será uma uma das melhores escolhas de carreira nos próximos cinco anos.

O aval da Forbes fortalece o jornalismo de marca

A Forbes foi um dos primeiros grandes veículos jornalísticos a reconhecer o “nascimento do jornalismo de marca e sua importância para os negócios”, depois de perceber que os conteúdos produzidos por empresas como SAP eSalesForce.Com estavam sempre entre os mais lidos em seu portal de notícias. Foi então criada a BrandVoice, uma editoria especial na qual as empresas publicam seus materiais.

Em um artigo publicado em 2012, Lewis DVorkin, então editor executivo da revista, exaltou este novo movimento e declarou: “como jornalistas, os comerciantes estão aprendendo a atrair os consumidores de notícias na era digital”. Há quem afirme que este posicionamento da Forbes acalmou os ânimos e “abriu o Mar Vermelho” para que excelentes profissionais da mídia tradicional passassem a atuar para marcas, produzindo e editando revistas corporativas (nos mais variados formatos e plataformas), portais, blogs etc.

5 características que fazem de nós, jornalistas, os melhores profissionais para produzir conteúdo corporativo

Dito isso, vamos às razões pelas quais eu defendo que nós jornalistas somos os melhores profissionais para ajudar empresas a criar consciência e autoridade de marca com credibilidade (conduzir o marketing de conteúdo):  

5. Nós jornalistas escrevemos por prazer — e com método

Ok, nem todos os jornalistas gostam de escrever (só os melhores!). Por sermos profissionais que atrelamos a finalidade de nossa atividade à escrita com método (redação), nos destacamos dos demais quando o assunto é produção textual.

Nossas habilidades com redação jornalista são fundamentais para criar longos textos, fazer bons descritivos de produtos e serviços, formatar chamadas impactantes, produzir roteiros de vídeos e áudios, fazer boas entrevistas etc. Fazemos tudo siso com prazer.  

4. Sabemos contar histórias

Antes de tudo, somos contadores de histórias. Nós sabemos da necessidade de envolver o público das notícias usando personagens que de alguma forma estejam envolvidos com os fatos ou sejam impactados por eles. Conhecemos o poder de conexão que estes personagens têm perante o público e, por isso, ouvimos e referenciamos autoridades para chancelar ideias e criamos contrapontos para dar ao receptor as várias visões de um mesmo assunto, sempre considerando a paixão que o ser humano tem por histórias.

Tudo isso pode — e deve — ser utilizado para a construção de conteúdos corporativos. Em suma, ao contar boas histórias, um jornalista ambientado com técnicas, métodos e práticas de marketing digital poderá tornar o conteúdo corporativo altamente relevante e interessante.

3. Somos viciados em buscar respostas e traduzir conceitos

Se tem uma coisa que um bom jornalista adora é fazer perguntas. Mas também checar a veracidade das respostas, duvidar, perguntar de novo, buscar contrapontos… Esgotar as possibilidades de explicação de um fato ou conceito é uma atividade muito importante no processo jornalístico.

Outro ponto interessante da prática jornalística, que pode ser usado na estratégia de conteúdo de uma empresa, é a simplificação das informações para que toda a audiência compreenda. Um mantra que a gente gosta muito de repetir foi dito por David Ogilvy: “comunicação não é o que você diz, é o que os outros entendem”.

2. Conseguimos extrair o máximo de nossas fontes

Dentro das empresas há muitos profissionais que são especialistas em suas funções. Eles sequer imaginam que este conhecimento todo pode ser utilizado para fortalecer a imagem da marca e, de quebra, melhorar suas próprias reputações (marca profissional).

Quando temos abertura para chegar até estas pessoas, conseguimos chegar até as informações e isso nos dá muitas ideias para produção de conteúdo (artigos de opinião, blog posts, matérias etc.). Nós sabemos, uma “simples” entrevista pode ser só uma entrevista para o entrevistado, mas para nós, não.

1. Estamos sempre equilibrando o que o público quer e o que ele precisa saber

Em marketing de conteúdo é preciso ser criativo e prender a atenção, ao mesmo tempo em que se entrega um conteúdo que gere valor à audiência e a conduza dentro de uma trilha estratégica até a compra (jornada do consumidor; funil de marketing, entre outras nomeações). Nesta estratégia, atrair as pessoas com o que elas querem e também entregar o que elas devem saber é o pulo do gato.

Colocar na balança o que atrai e o que dá efeito é o exercício diário de quem foi treinado para diferenciar o que é interesse público do que é interesse do público!

Jornalista de marca é jornalista que entende de negócio

Estas 5 características fazem de nós, jornalistas, excelentes profissionais para atuar com marcas. No entanto, é preciso ir além. Um bom brand journalist precisa estar antenado com todas as plataformas, conhecer e lidar bem com os meandros do marketing digital e todas as suas facetas (sobretudo com indicadores, mensuração de resultados) e, sobretudo, estar disposto a entender do negócio. Afinal, não existe marketing de conteúdo de resultado sem uma estratégia comercial. Técnica e criatividade por si sós, sem consciência de todos os esforços para ganho de mercado, não são suficientes.

Existe algum outro assunto relacionado que gostaria de ver aqui no blog do Marketagem? Entre na conversa com a gente. Adoraríamos ouvir a sua opinião!

Post feito em parceria com Cícero Nogueira – jornalista e especialista em Marketing de Conteúdo (certificado por Hubspot, Contentools e Rock Content).

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